Horizonte de longo prazo é uma vantagem
O fundador da Amazon, Jeff Bezos, uma vez perguntou a Warren Buffett: "Sua tese de investimento é tão simples. Por que mais pessoas não copiam você?"
Buffet respondeu:

"Porque ninguém quer ficar rico devagar."
Evitar a tentação de ficar rico do dia para a noite é primordial se você busca alta probabilidade de atingir seus objetivos financeiros. Por isso, as próximas páginas serão dedicadas aos principais motivos para focar no longo prazo.
"It's about time in the markets, not timing the markets"
O curto prazo é incerto e de difícil previsibilidade
Se alguém pudesse simplesmente prever com antecedência como o mercado se comportaria a cada ano, o timing de mercado certamente seria a melhor estratégia. Mas considerando que nem mesmo os especialistas podem fazer isso. Então, como o investidor médio não profissional se sairá melhor?
As barras azuis representam o consenso das previsões dos analistas e estrategistas de Wall Street no início de cada ano e as barras escuras indicam o retorno realizado de fato pelo índice S&P 500 apurado ao final do ano. Importante notar que o consenso (média dos analistas) sempre começa prevendo um ano com número positivo, talvez o palpite mais seguro, considerando que o S&P 500 entrega um resultado positivo cerca de 70% do tempo.
Veja como o consenso erra com frequência, e muitas vezes de forma dramática:
2002 – Consenso dos analistas +14% vs Retorno realizado de -22%.
2008 – Consenso dos analistas +16% vs Retorno realizado de -37%.
2013 – Consenso dos analistas +2% vs Retorno realizado de +32%.
A conclusão é que prever movimentos e rentabilidades dos mercados no curto prazo com precisão é muito difícil, mesmo para profissionais com décadas de experiência.
No entanto, quando aumentamos nosso horizonte de análise, a variabilidade de rentabilidades realizadas diminui, tornando as previsões de rentabilidade menos incertas e independentes de humor do mercado, movimentos especulativos e mais atreladas aos fundamentos e a economia real. Veja abaixo:
Errar o timing de mercado custa muito caro
Não bastasse a dificuldade em prever o curto prazo, o custo de errar uma previsão ou posicionamento afeta de forma relevante a rentabilidade ao longo do tempo e por tanto reduz a chance de atingir objetivos patrimoniais.
O gráfico anterior mostra o impacto na rentabilidade do investidor, comparando entre estar sempre investido, ou seja, sem tentar fazer market timing e caso ele tente acertar o momento de estar investido e acabe perdendo os 10 melhores dias, 20 melhores dias e assim por diante.
Veja como perdendo apenas os 10 melhores dias (maiores retornos diários), a rentabilidade anualizada cai muito, praticamente pela metade, de 10,2% a.a para 5.5% a.a.
Outra característica que aumenta consideravelmente este risco é que os melhores dias geralmente acontecem próximos aos piores dias de retorno, tornando muito improvável que o investidor tenha a clareza e tranquilidade para conseguir capturar estes dias de melhores retornos que ocorrem justamente em um cenário de pânico e turbulência onde instintivamente o ser humano evita o risco, a menos que esteja sempre investido (comprado).
Crises são passageiras e retornos se acumulam
Podemos olhar risco de várias maneiras, entre elas, podemos ver risco de curto prazo e de longo prazo. Algumas medidas de risco de curto prazo são desvio padrão dos retornos, drawdown (máxima queda desde o topo de um ativo ou portfólio). No longo prazo o principal risco é o de não atingir os objetivos, ou seja, ter uma rentabilidade abaixo do necessário para aposentar com o conforto e padrão desejado.
No gráfico abaixo é possível ver o desempenho do índice de ações americano S&P 500 desde 1900, com todas os principais eventos de stress e preocupação, além de todas as recessões que ocorreram.
Foco na alocação de ativos
É muito difícil para o investidor iniciante, ou não especializado, conseguir perceber a diferença de importância dentre as várias informações e conceitos que ele começa a ter contato logo no início da sua jornada de investimentos ou que recebe diariamente.
São muitas coisas que parecem sofisticadas e importantes e isso acaba desviando a atenção para o que realmente importa quando falamos de investimentos. Um destes conceitos é entender a diferença entre a alocação de ativos e seleção de títulos e valores mobiliários.
Alocação de ativos
A alocação de ativos (asset allocation) é considerada uma das decisões mais importantes para o sucesso do portfólio, com um impacto significativo no desempenho geral do investimento, pois define quais classes de ativos (renda fixa, renda variável) irão ser investidas e em qual proporção do capital total.
Seleção de títulos e valores mobiliários
É escolha de quais títulos serão selecionados para compor a alocação definida para cada classe, num nível mais granular. Por exemplo, após definir que um portfólio terá uma alocação de 30% em ações, iremos selecionar quais títulos, valores mobiliários ou fundos serão investidos especificamente até atingirmos a proporção definida pela alocação de ativos.
Diversificamos e rebalanceamos sistematicamente
Outro ponto importante é entender o que realmente é diversificação e por que ela é tão importante, na prática.
Diversificar não é uma tarefa simplesmente mecânica de encher seu portfólio com várias coisas diferentes. Um investidor com 20 ações de tecnologia não está realmente diversificado, visto que fatores macroeconômicos ou de mercado podem afetar a cotação das empresas e imprimir quedas relevantes ao seu portfólio.